Finanças para freelancer: como planejar com renda variável
Um mês você fatura R$ 8.000. No outro, R$ 3.000. No seguinte, R$ 12.000. E aí alguém vem te dizer pra "separar 30% pra impostos e 20% pra investir".
Com qual salário? O de qual mês?
Se você é freelancer, PJ ou tem qualquer tipo de renda variável, já percebeu que os conselhos financeiros tradicionais não funcionam pra você.
O problema dos conselhos genéricos
A maioria das dicas de finanças pessoais assume uma coisa: que você sabe quanto vai ganhar no mês que vem.
"Gaste no máximo 50% da sua renda com moradia."
"Invista 20% todo mês."
"Faça uma reserva de 6 meses de salário."
Tudo isso faz sentido — pra quem é CLT e recebe o mesmo valor dia 5 de todo mês.
Pra quem é freelancer, a realidade é outra. Você não sabe se o próximo mês vai ser gordo ou magro. Não sabe se aquele cliente vai renovar. Não sabe quando o pagamento vai cair.
Os três desafios de quem tem renda variável
1. Imprevisibilidade de entrada
Você pode ter três projetos num mês e zero no outro. Pode receber à vista ou em 60 dias. Pode ter um cliente que atrasa sempre.
2. Gastos fixos que não esperam
Aluguel, internet, plano de saúde — essas contas chegam todo mês, não importa se você faturou ou não.
3. Mistura de pessoa física e jurídica
Dinheiro da empresa e dinheiro pessoal se misturam. Pró-labore, distribuição de lucros, impostos — tudo vira uma confusão só.
O que funciona de verdade
Em vez de seguir regras fixas, você precisa de um sistema que se adapte à sua realidade.
1. Conheça seu custo de vida real
Não o ideal, não o que você gostaria. O real. Quanto você precisa, no mínimo, pra pagar suas contas e viver com dignidade? Esse é seu número de sobrevivência.
2. Trabalhe com cenários, não com certezas
Em vez de "vou ganhar X", pense: "se eu ganhar X, posso fazer isso. Se ganhar Y, preciso cortar aquilo." Projeção com cenários é mais útil que orçamento fixo.
3. Crie um colchão de fluxo de caixa
Diferente de reserva de emergência. É dinheiro pra cobrir os meses magros sem precisar mexer nos investimentos. Dois a três meses de custo de vida, sempre acessível.
4. Separe as contas (de verdade)
Conta PJ é da empresa. Conta PF é sua. Defina um pró-labore — mesmo que varie — e respeite essa divisão.
5. Projete seu futuro, não só registre seu passado
Saber quanto você gastou em janeiro não te ajuda a decidir se pode pegar aquele projeto que só paga em abril. Você preci